Maurício SavareseDo UOL NotíciasEm São PauloDez dias depois do tremor que matou dezenas de milhares de pessoas, o Haiti terá que enfrentar um novo problema. Em entrevista ao UOL Notícias, Loetitia Raymond, funcionária da Care France, ONG que está atuando no país, prevê dificuldades nas próximas semanas em cidades menores do Haiti, que estão recebendo grandes fluxos migratórios por conta do terremoto de 7 graus na escala Richter que devastou o país.
Apenas na cidade de Gonaives - vítima de quatro furacões devastadores em 2008 - chegaram 1.500 pessoas de Porto Príncipe apenas na quinta-feira (21). "Essas cidades também vão precisar de estrutura e atenção, apesar de terem sofrido menos impacto com o terremoto", diz Raymond.
A francesa participa das operações humanitárias da ONG no Haiti, concentradas na capital, Porto Príncipe, e em Léogâne, município com 120 mil pessoas perto do epicentro do terremoto. Nessa cidade, restaram apenas cerca de 15% das construções em pé, segundo equipes de resgate. O cenário de destruição é diferente, mas a crise humanitária, de acordo com ela, remete a Ruanda nos anos 90.
A realocação dos desabrigados exige estratégias de áreas conflagradas. "Temos colchões e tendas para abrigarmos muita gente, mas em algumas partes simplesmente não podemos entregar agora", contou Loetitia. "Isso porque o governo já encontrou local para construir novas moradias em áreas seguras, e se dermos os colchões e tendas eles vão se fixar em regiões que precisam ser esvaziadas."
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